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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Oldboy

Você deve estar pensando "Meu Deus, porque um filme tão bom está em um blog chamado Cine Bostinha?"
A resposta é simples: Ele é uma bosta superestimada e eu quero desabafar.
Pra começar, o que me fez assistir Oldboy foi a quantidade de elogios que encontrei em resenhas e comentários. Parece unanimidade tratar-se de um grande filme, a começar pela sinopse. Não encontrei nem procurei muito por uma sinopse oficial mas essa vai servir:
"Oh Dae-su é preso depois de uma bebedeira.Ao sair da cadeia ele resolve ligar para casa.É aniversário de três anos de sua filha.Na cena seguinte acorda em um quarto onde há apenas uma televisão.Sem saber por quem e nem por que,Oh Dae-su fica preso durante 15 anos.Ao sair daquele lugar,procura entender o que se passou em sua vida.Mesmo afastado de tudo ele foi acusado de matar sua mulher.Oh Dae-su quer vingança.Custe o que custar.Para isso terá que viver uma história perturbadora,de fortes emoções.Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes,"Oldboy" tem um final mais que surpreendente."
 As seguintes virtudes são exaltadas na Wikipédia:
"O filme consegue unir em 119 minutos, questões como vingança, amor, ultra-violência, o tempo, a crise da vida moderna, a hipnose e obstinação, tudo isso envolto a tabus sexuais.  
O filme, que foi vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes, é o segundo capítulo da Trilogia da Vingança do diretor Chan-wook Park (o primeiro é Simpatia pelo Sr. Vingança e o terceiro é Lady Vingança)."
 Só 119 minutos? Eu poderia jurar que o filme durou no mínimo umas 3 horas.

Os próximos comentários contém spoiler!

O Filme começa muito bem, mostra Oh Dae-su - que a patir deste momento chamarei apenas de "O protagonista - bêbado feito um porco, dando trabalho na delegacia. Nas cenas seguintes, um amigo dele o leva para casa e no caminho param em uma cabine telefônica para telefonar para a filhinha do protagonista que está fazendo aniversário. É quando o amigo pede para falar ao telefone e vira as costas por alguns segundos, ele desaparece sem deixar pistas.
Nos próximos 15 anos, nada de muito importante aconteceu para a trama, apenas apresentação da situação. Privado de liberdade, sua sanidade vai definhando com o confortável cárcere, que lembra muito um quarto de hotel, passa a treinar sua forma física dando murros nas paredes. Isso mesmo, dando murros nas paredes, grande merda. Um belo dia, ele é transferido de quarto e descobre que está prestes a ser livre novamente. É quando uma hipnóloga (HAHAHA) o visita e faz crer que está ao ar livre e quando recobra a consciência, vê que está no alto de um prédio com um suicida agarrado a um poodle. Esse filme é realmente  imprevisível e isso não é um elogio. Resumo da ópera: ele faz o homem aturar o falatório dele e quando o infeliz quer desabafar também, ele simplesmente vira as costas num gesto de ingratidão e o abandona, cena que culmina com o suicídio do figurante. Tudo isso para apresentar a frase "Ria e o mundo rirá com você. Chore e chorará sozinho."
Até aí tudo bem, um homem preso por 15 anos por motivos que ele mesmo desconhece parece uma trama interessante, instigante mas a partir da liberdade do protagonista, tudo desanda. Um mendigo o aborda e entrega uma carteira cheia de dinheiro e um celular, eis que ele entra em um restaurante e é atendido por uma moça, recebe um telefonema sem propósito, que mais tarde descobrimos ter fins relacionados à hipnose. Que palhaçada.
Eis que enquanto devorava um molusco vivo, ele tem um surto e desmaia, quando recobra a consciência descobre que está na casa da moça  que o atendeu no restaurante e automaticamente se apaixonam e ela o ajuda a descobrir seu passado. Depois de uma eternidade de enrolação, temos cenas de lutas ridículas e mal ensaiadas, onde capangas em grandes grupos e que poderiam acabar com ele em um minuto, se reservam em ficar se debatendo uns nos outros iguais os bonecos de massa dos Power Rangers, cada um educadamente esperando sua vez de bater. Já vi lutas mais intensas entre crianças da rede municipal de ensino.
Depois de mais enrolação, ele descobre a identidade de seu captor e em uma corrida contra o tempo, com direito a mocinha indefesa amarrada só faltaram os trilhos e o trem se aproximando, ele e a mocinha encontram tempo pra transar e nessa cena nos deparamos com a fala mais lamentável do filme.
Com cara de sofrida, ela diz: - Dae-su, dói muito mas estou aguentando.  
Dispensa comentários :P

Minha paciência acabou, então vou passar logo para o final.
O protagonista descobre que tudo não passou de um plano maquiavélico de um antigo colega de escola que tinha uma relação incestuosa com a irmã. Ele foi preso simplesmente por espalhar o boato do relacionamento, boato que cresceu ao ponto da menina acreditar estar grávida e cometer suicídio. A vingança consistia em prendê-lo por 15 anos para fazer com que ele se apaixonasse pela mocinha através da sempre milagrosa hipnose. Claro que a mocinha era filha do protagonista, se não a vingança não teria o menor sentido. É nessa cena da descoberta que o protagonista lembra que doía muito mas ela aguentava (rs) e dá um ataque de boceta que nunca vi igual. Rola no chão, chora, lambe os sapatos do "vilão", corta a própria língua. Só faltou tocar o tema de Maria do Bairro tamanho o dramalhão mexicano, que não parou por aí. O flash back da morte da irmã incestuosa foi de um drama tão barato, mas tão vagabundo que se ele, o vilão, não cometesse suicídio, eu mesma cometeria. O filme termina com o protagonista, mais uma vez recorrendo à hipnose para esquecer a descoberta de seu relacionamento incestuoso para poder continuar brincando de papai e mamãe e não papai e filhinha.
Tá, foi infame mas não resisti.

Considerações finais, em tópicos:
- Uma menina tão fraca da cabeça que se matou por causa de uma gravidez psicológica causada por um boato.
- Um irmão incestuoso sedento por vingança criou um plano imbecil e que deve ter levado umas duas décadas, no mínimo, pra concretizar.
- Cenas de luta mal ensaiadas e mal realizadas.
- Muita enrolação disfarçada de ação eletrizante.
- Dramalhão.
- A hipnose vai resolver todos os problemas da humanidade.
- Dói muito, mas estou aguentando.

Resumindo: Essa porra não tem nem pé e nem cabeça. Parece um circo, com tantas palhaçadas que preenchem esse roteiro. Corro o risco de parecer ignorante ao criticar um filme considerado bom por quase todos, sendo ainda ganhador do Festival de Cannes. Mas quer saber? Não passa de uma bosta pintada de dourado. E tenho dito.

Nota:
 

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